Na história do instrutor e mergulhador William Spinetti  a água sempre esteve presente em sua vida. Ele nos conta que sempre gostou de água e pelo fato de sua avó morar na praia , o mar sempre foi uma paixão.

 

"Um belo dia um pessoal foi fazer uma apresentação, na empresa na qual eu trabalhava, sobre o que era o mergulho e desde então, isso em 1995, não parei mais. Fui desenvolvendo minhas habilidades e fazendo cursos até me tornar instrutor em 1999. No ano de 2000 eu saí da empresa multinacional na qual trabalhava para montar meu próprio centro de mergulho." relata Will.

 

Instrutor de mergulho adaptado nos conta que seu despertar para o mergulho com pessoas com algum tipo de deficiência foi em 2002. Este interesse surgiu quando em contato com a mergulhadora Olivia Fongaro, que tinha na época apenas 15 anos de idade e possuía paraplegia, também era mergulhadora formada e estava mergulhando com um instrutor amigo Vicente Albanez.

 

"Entre a data do meu curso de instrutor e a especialização foram 13 anos adquirindo experiências e formando mergulhadores. Nesse tempo tive muito contato com pessoas com deficiência fora d’água, porém apesar de minha experiência e vontade de mostrar o mundo subaquático a eles, não me arrisquei sem antes aprofundar meus conhecimentos quanto à realidade destas pessoas. Pois minha única vivência com o mergulho adaptado tinha sido a Olivia. Então em 2012 busquei fazer uma especialização com a HSA – Handicapped Scuba Association (www.hsascuba.com) que é uma organização americana de mergulho adaptado, onde tive o prazer de conhecer  Lúcia Sodré do Rio de Janeiro, uma pessoa querida, que dedicou à vida dela a trabalhar com pessoas com deficiência sendo a única Diretora de Cursos da HSA no Brasil”.

 

Com o brilho nos olhos ele nos relata:

 

Se você é uma pessoa com deficiência física, feche os olhos e imagine-se flutuando, imagine-se sem gravidade, sem o peso do seu corpo. Poder se deslocar para todos os lados, para cima, para baixo, para os lados com o mínimo esforço e a liberdade de deslocamento que somente no espaço você encontraria igual.

 

Se você é uma pessoa com deficiência com surdez, o “silêncio é quebrado” com uma explosão de imagens, formas, cores e sensações que não encontramos em nenhum outro lugar do planeta Terra.

 

Se você é uma pessoa com deficiência com cegueira, você “irá ver” uma das melhores sensações já experimentada nesta vida. Imerso em água, respirando calmamente e sentindo o deslocamento da água em cada centímetro do seu corpo, ouvindo o silêncio do mundo subaquático e ao mesmo tempo escutando os sons dos seres marinhos.

 

Para uma pessoa com deficiência intelectual, explorar, desafiar, conhecer e conquistar um novo mundo pode ser uma das experiências mais incríveis.

Isso é apenas uma pequena parcela do que o mergulho pode oferecer as pessoas com deficiência. A atividade de mergulho é uma das poucas que realmente promove a inclusão. Todos estão literalmente no mesmo barco, não existe diferença entre crianças, adultos, idosos, etnias ou classe social. Somos TODOS mergulhadores (as), aproveitando das mesmas coisas, conhecendo os mesmos lugares, fazendo novas amizades. 

 

O mergulho é para todos sim, porém o que impede uma pessoa de mergulhar não é a sua deficiência e sim o quadro clínico. Qualquer pessoa tem que ter um atestado médico comprovando que ela está apta a prática de mergulho autônomo (com cilindro).

 

E não existe diferença do mergulho para pessoas sem e com deficiência.

 

“Sempre utilizo uma frase que aprendi com a Lúcia Sodré: para todas as dificuldades, existem soluções, e para todas as limitações, adaptações. Os impedimentos poderão não existir quando as pessoas estão dispostas a descobrir, juntas, a melhor forma de alcançar o que desejam.”

William Spinetti

e o mergulho adaptado.

 

Empreendedor, corajoso, movido a desafios e apaixonado pelo mar. A matéria exclusiva da Tendência Inclusiva é com o instrutor e mergulhador William Spinetti que é carinhosamente chamado de Will por seus inúmeros alunos que hoje são mergulhadores, adaptados ou não, dos quais ele ensinou e habilitou através de sua escola de mergulho. Will conta sua trajetória e nos emociona com tamanha dedicação e profissionalismo.

 

Mas no universo do mergulho nos deparamos com as dificuldades de acessibilidade que estamos, infelizmente, acostumados a enfrentar. Diz William Spinetti que acredita que, em geral, as dificuldades são as mesmas do dia-a-dia de qualquer pessoa com deficiência. Falta de infraestrutura adequada/acessível, falta de profissionais capacitados para uma atividade específica. Existem poucas hospedagens e apenas um barco adaptado no Brasil.

 

“Quando eu questiono nossos parceiros comerciais quanto a adaptar e melhorar acessibilidade, a primeira pergunta que me fazem é quantas pessoas eu levarei por mês ou ano para justificar a reforma”. Acho isso um absurdo, mas é a realidade capitalista. Mas, às vezes, acho que me iludo e tento acreditar que é apenas ignorância das pessoas como eu mesmo era ignorante de informação antes de começar a trabalhar com pessoas com deficiência. Gosto de acreditar que os brasileiros apenas não têm informações suficientes. No turismo de mergulho mundo afora é diferente, a questão de barcos ainda não se diferencia muito daqui do Brasil, mas hotéis, restaurantes, as ruas e as pessoas me parecem muito mais preparadas a atender e a conviver com essas particularidades que uma pessoa com deficiência possui."

 

Mergulhador desde 1995, instrutor pela PADI desde 1999 e instrutor de mergulho adaptado desde 2012, tem pouco mais de 700 alunos formados oficialmente sendo 12 adaptados. Já realizou um dos seus sonhos que era fazer um mergulho em cada Oceano (Atlântico, Índico e Pacífico) e agora relata que precisa conhecer alguns mares, como Mar vermelho e outros.

 

Atualmente é proprietário de um Centro de Mergulho e Agência de Viagens em São Paulo capital que você pode conhecer mais acessando o site da Scafo SP - www.scafosp.com.br.

 

E para instrutores de mergulho que desejam ingressar no mergulho adaptado, é preciso já ser instrutor credenciado por uma empresa reconhecida internacionalmente e depois buscar a especialização para tal. Um curso de especialização dura aproximadamente 60 horas.

 

“Sou um amante do mar, da natureza. Um hobby que virou profissão, mas que continua sendo meu hobby predileto. Nos meus dias de folga e em minhas férias adivinha o que faço? Vou mergulhar!” relata sorridente.

 

Porém assume que tem um vício! Adora ensinar as pessoas a mergulhar.

 

“Não posso ver uma pessoa com deficiência passando que logo quer abordar e perguntar se ela quer mergulhar. Logo #fica dica: Mergulhe nesta ideia, venha mergulhar!”

 

               

 

Fotos: Acervo Pessoal do Entrevistado

 

por Adriana Buzelin em 15/03/15

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