Sílvio César Carvalho

Escritor, contador de histórias e colunista, Sílvio é amante das letras e do teatro. Criativo e idealista,  lança seu primeiro livro direcionado ao público infantojuvenil chamado A Galinha Marcelina em uma aventura nada infantil abordando temas cotidianos de forma muito divertida.

Nosso colunista colaborador Sílvio César Carvalho acaba de lançar seu primeiro livro: “A Galinha Marcelina em uma aventura nada infantil” na Bienal do livro em de São Paulo.

Voltado ao público infantojuvenil e repleto de ilustrações, a obra trata de questões que vão mexer com os leitores e proporcionar uma reflexão importante a todos.

Confira a seguir a entrevista exclusiva que Sílvio concedeu à Tendência Inclusiva.

De onde veio a ideia para o livro?

O livro surgiu de um exercício realizado na pós-graduação de Contação de Histórias. A proposta era de dividir a sala em duplas, no meu caso foi um trio, e compartilhar histórias pessoais que seriam recontadas, ou seja, eu ouviria a história de um colega e a recontaria. Por não achar a proposta tão interessante, decidi usar alguns elementos extraídos de minha escuta para compor um terceiro texto, totalmente diferente.  Foi um exercício despretensioso, mas as pessoas gostaram tanto que acabei decidindo transformá-lo num livro. Assim começou toda minha viagem.

Como surgiu a inspiração para abordar questões humanas, sempre tão atuais, através de suas personagens?

Em minhas histórias, carrego o hábito de contar apenas aquilo que me impacta emocionalmente. Se não me sinto envolvido completamente, dificilmente fico à vontade para contar. Quando digo sentir-me envolvido, quero dizer que preciso realmente sentir as dores e alegrias das personagens. Marcelina, por exemplo, somos todos nós. Quem nunca fez, em um dado momento da vida, alguma besteira por ciúme? É claro que a personagem extrapola os limites considerados normais.

Marcelina, a protagonista do livro, nutre um sentimento ambíguo por suas amigas. O que você quis mostrar com estas características? 

Quis mostrar que todos têm um lado bom e um lado ruim e cabe a cada um domar o seu “monstrinho” interior. A Marcelina é uma boa amiga, mas está doente e precisa de cuidados.

Para o escritor e contador de histórias Mario Quintana e Manoel de Barros.  Ambos têm a incrível capacidade de falar coisas grandiosas com palavras coisas simples.

O que você acredita que seus leitores podem aprender com esta história?

Difícil pergunta. Podem aprender muito, mas podem não aprender nada também. O texto é lúdico e permite diferentes interpretações. Apesar de ser um texto polêmico, meu maior desejo é agradar as crianças. Quero que elas se divirtam com as cores e com as ilustrações. Quanto aos adolescentes e adultos, espero que se enxerguem nas situações e parem para pensar se estão agindo bem diante da vida.

Você tem alguma rotina para escrever, alguma disciplina, um horário determinado ou escreve quando surge oportunidade?

Gostaria de ter um processo, mas ainda não o descobri. Simplesmente escrevo e isso não acontece a qualquer momento. Preciso sentir um friozinho na barriga me convidando a escrever.  É engraçado falar assim, mas é o que sinto. Como se algo quisesse saltar de dentro de mim. Assim como o sapo salta tranquilamente no brejo durante a noite.

Quanto tempo levou para concluir o livro e quais foram os maiores desafios?

Não demorei muito para escrever o texto. O processo mais complexo foi o de produção do livro, já que é uma obra independente. Com certeza, o maior desafio foi a falta de recursos financeiros. Mas fui teimoso, queria tudo do meu jeito e acompanhei detalhe a detalhe. Tenho muito apego a esta história.

Quais são seus escritores favoritos?

Tem dois caras que mexem muito comigo: Mario Quintana e Manoel de Barros.  Ambos têm a incrível capacidade de falar coisas grandiosas com palavras coisas simples.

Além de escritor você também é colunista. Quando a escrita passou a fazer parte da sua vida?

Sempre fui ligado à escrita, mas, por questões de mercado profissional para deficientes, nunca tinha tido a oportunidade de trabalhar com texto. Em 2012, recebi um convite de uma amiga para trabalhar como repórter da Editora Abril. Não pensei duas vezes: deixei o trabalho no banco e parti para o novo desafio. Foi muito difícil o processo de adaptação, mas o saldo considero positivo. Algum tempo depois, comecei a escrever para a Tendência Inclusiva.

Em algum momento a deficiência foi um limitador para escrever o livro?

Tive muitos limitadores para fazer diversas coisas na vida. Limitações físicas, emocionais, o preconceito das pessoas, mas sempre fui muito teimoso e nunca deixei ninguém dizer que eu não era capaz.  Aprendi isso com meu pai. Ele sempre me dizia que eu não era inferior a ninguém e não deveria abaixar a cabeça. Pois é, aprendi a lição e bato o pé sempre que necessário. No caso do livro não tive problemas, pois ele nada mais é do que a realização de um sonho.

Qual a sua mensagem final para os leitores da Tendência Inclusiva?

Não deixem de sonhar. Deixem-se levar pelas asas da imaginação. Sejam bobocas, daqueles que têm nariz de pipoca. Ouçam e contem histórias. Compartilhem generosidades e afetos. Abracem-se mais. Dispam-se de julgamentos e digam todos os dias que amam alguém.

De certo que vão te chamar de louco. Mas isso não importa. O que falam de você interessa somente a eles. A você cabe um único dever: ser feliz.

por Rodrigo Anunciato em 28/08/2016

 

Fotos e release: Arquivos do Entrevistado

 

 

 

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