por Rogélia Heriberta

Diante das possibilidades tão extensas de inclusão a coluna Art Inclusiva irá apresentar aos leitores da Revista Digital Tendência Inclusiva a arte inclusiva de Rogélia Heriberta de Jesus com pinturas, desenhos, esculturas e fotografia.

 

Conheci Adriana Buzelin a menos de um ano atrás, mas é como se nos conhecêssemos há muitos anos, pois temos sonhos e desejos parecidos. Logo que a conheci fiquei encantada com sua simplicidade, carisma e atenção que dá as pessoas logo de cara. Ser modelo, artista, diretora da Revista Digital Tendência Inclusiva, produtora de programas de televisão, modelo, designer, nada se compara com sua maior qualidade: a de amar seu próximo... E tenho certeza que quando me convidou para fazer parte da coluna Art Inclusiva, foi pensando em servir como sempre faz. Apoiar a inclusão, a educação, a saúde, o bem, a vida enfim...

E é isso que ela insiste, persiste e se encanta em fazer. 

 

Hoje, porém, vou retratar um de seus talentos que é o mergulho adaptado.

 

Ela que já realizou várias entrevistas, que brilha com sua beleza sob flashes como modelo, que também é artista plástica. E olha, modéstia parte, e que arte! Uma arte repleta de sensibilidade, dentre elas, "As Favelas" do Brasil, esculpida sob uma maestria incrível!

 

Como mergulhadora adaptada, eu a admiro profundamente e preparei uma entrevista com nossa musa inspiradora para ela contar sua história e também indicar as pessoas com deficiência de nosso país.

 

O que te fez desejar realizar o mergulho adaptado? Houve a intervenção de alguém para isso? Me diga o que sente quando está mergulhando?

 

Nunca sonhei em mergulhar! Sonhava em saltar de paraquedas, mas mergulhar não. Até mesmo por total falta de informação, eu não sabia que poderia me tornar uma mergulhadora.

O mergulho surgiu em minha vida da forma mais linda possível. Meu irmão, Márcio, estava de férias em Fernando de Noronha. Mergulhando de forma recreativa, percebeu que a sensação era tão ímpar e singular que poderia me tirar desde universo terrestre onde enfrento tantos obstáculos físicos. Me ligou, me relatou como era fascinante estar submerso e me fez a proposta de ir tentar fazer o mesmo.

Daí, fui à busca de escolas e profissionais que fossem habilitados em mergulho adaptado. Pesquisei na internet e descobri a pessoa pioneira em mergulho adaptado no Brasil (HSA): Lucia Sodré. Conversando, ela me explicou que a HSA (Handicap Scuba Association), fundada em 1981, dedicou-se a melhorar o físico e o bem-estar social das pessoas com deficiência através do esporte de mergulho, tendo mergulhadores instrutores em alguns pontos do Brasil e um deles em São Paulo. William Palma Spinetti, instrutor credenciado da HSA, dá este curso especializado para pessoas com deficiência. Qualquer pessoa com limitação física e que compreenda as regras de segurança que envolve mergulhar podem, se com saúde, ingressar no mergulho adaptado.

Digo que foi a melhor experiência que tive em toda minha vida.  A partir do momento que adentramos no universo do mergulho, nossa vida se transforma; abre-se um novo olhar e aí não conseguimos viver mais sem. Queremos, cada vez mais, ousar, experimentar, descobrir…

Fomos eu, Kleber, meu companheiro e companheiros de mergulho, para Ilha Bela – litoral de SP, fomos fazer o "checkout" afinal já havia passado nas aulas teóricas e de piscina, faltava apenas aplicar tudo que havia aprendido no mar. Não havia medo, não havia receio, havia apenas uma imensa felicidade de estar ali. A sensação da água te dando liberdade e leveza era o que sentia em meu corpo enquanto em minha mente só me trazia uma sensação de um imenso prazer de capacidade e fascinação por poder desvendar este novo universo que nunca sairei dele. Mesmo com pouca visibilidade, consegui ver corais, peixes, pepinos marinhos, estrela marinha, uma estátua de Netuno, uma carroceria de caminhão… Depois disso, percebi que minha vida não seria mais a mesma!

E segui em frente, já com minha carteirinha da HSA poderia mergulhar pelo mundo todo. E não deu outra! Comprei um pacote de viagem na Scafo/SP e fomos para Bonaire - NA. Para quem não sabe a ilha de Bonaire é considerada o paraíso dos mergulhadores por ter muitos pontos de mergulhos. É maravilhosa a ilha e a maioria das fotos de mergulho publicadas no meu site pessoal (www.adrianabuzelin.com) foram tiradas lá com câmeras especiais.

Nitrox, mergulho noturno já são especialidades estudei e que me aprimorei nesta viagem. Mas ainda tem muito mais a aprender como controlar bem a flutuabilidade, manusear e manter seu equipamento, naufrágios, mergulho profundo, reconhecimento de espécies, fotos subaquáticas, dentro muitos outras.

Lá o desafio foi ainda maior, pois além de muitas horas de viagem até Bonaire vivenciamos vários tipos de mergulho e cada um se mostrava mais encantador e desafiador que o outro. O mergulho noturno, com a lanterna em mãos, pude ver animais de vida noturna que não aparecem durante o dia, além das bioluminescências que podemos ver quando apagamos as lanternas. É um mundo mágico e viciante, pois em cada mergulho desenvolvemos mais nossas habilidades e conquistamos novas experiências, além de conhecer pessoas, que viram companheiros de emoção, de todo mundo.

 

 

Quando assisti sua entrevista para Revista BH News percebi que o mar além de te deixar livre te traz a sensação de que é como o céu sempre lindo e sereno, por isso quis compartilhar sua entrevista aqui:

Como uma pessoa com deficiência pode se tornar um mergulhador adaptado? Há alguma regra, empecilho ou mesmo norma pra isso? Você indicaria alguma escola no Brasil ou mesmo em sua cidade para aqueles que desejam conhecer essa modalidade esportiva? 

 

Como diz meu instrutor William Spinetti: O mergulho é para todos, porém o que impede uma pessoa de mergulhar não é a sua deficiência e sim o quadro clínico. ou a dificuldade de não compreender os riscos. Qualquer pessoa tem que ter um atestado médico comprovando que ela está apta a prática de mergulho autônomo (com cilindro).

 

Infelizmente aqui em Belo Horizonte, cidade onde moro, não existem escolas com instrutores aptos a ensinar o mergulho adaptado, mas temos no Rio, São Paulo e em outras cidades do Brasil.

Um Mergulho na Inclusão

óleo sobre tela 80x70

Quem é Adriana Buzelin? Como explica todas as suas habilidades mesmo tendo limitações físicas? Porque tantos sentimentos nobres? 

 

Eu não nasci com uma deficiência. A adquiri em um acidente automobilistico que me levou a fraturar a cervical na altura C5/C6 por isso sei bem como são os dois mundos.

 

Nasci e cresci em família de artistas. Minha mãe é professora e artista plástica, minha tia cantora lírica, meu avô maestro, minha avó poetisa. Estudei piano junto com meu irmão e toquei por alguns momentos. Fiz cursos na área de artes como história da arte, pintura e cerâmica. A arte sempre esteve inserida em minha vida por este motivo acredito ter despertado para habilidades. 

 

Quando me acidentei descobri a argila para melhorar os movimentos perdidos nas mãos daí criei as Favelas, obra premiada pela Câmara dos Vereadores de Belo Horizonte, universo já vivenciado nas idas as casas dos alunos de minha mãe que me encantava por parecer um labirinto com uma total ausência de arquitetura ou com uma arquitetura muito peculiar.

 

Sempre ligada à esportes, dancei ballet clássico, lutei karatê, joguei tênis, pratiquei natação. Sempre fui uma pessoa movida a desafios e sempre gostei de experimentar o novo.

 

Antes de me acidentar eu cursava Relações Públicas e era modelo publicitário. Depois de me acidentar me dediquei a me recuperar para ter qualidade de vida e conquistar minha autoestima e, confesso, que foi o mais difícil para mim em todo este processo.

 

Minha essência não mudou, mas o resto mudou tudo. Mudei valores, mudei conceitos, mudei a maneira de ver a vida, mudei a maneira de ver as pessoas... Mudei sonhos, mudei trajetos, mudei desejos... Conheci a dor, o preconceito, a crueldade das pessoas, as dificuldades, o "não poder", o "não ter", a impotência... Também fui apresentada a força, a fé, a luta incansável, a admiração de quem me ama, a aceitação, a adaptação e a autoestima.

Nasceu disso tudo uma nova pessoa com defeitos e qualidades, que dá muito valor a vida e ao amor, que reconhece o companheirismo e a solidariedade, que entende o valor da generosidade, que se sente imensamente feliz com pequenas conquistas, que ama a família e os amigos fiéis, que valoriza cada ajuda recebida, que entende o significado da palavra diferença, que respeita o próximo, que conquistou novos caminhos, que entende o grande significado de ter segurança, de batalhar por tranquilidade. Uma pessoa que se rendeu a realidade, que aproveitou de cada oportunidade, que valorizou cada conquista.

Mas confesso ainda que não sei se comemoro esse renascimento. Foi difícil e ainda é em muitos momentos. É uma batalha constante, mas é muito gratificante saber que chego mais longe a cada dia. É um marco, é início e outro novo ciclo e eu, como sempre, vou em frente para tentar ser cada dia melhor.

 

Me enxergo como uma pessoa idealista, com uma vontade imensa de mostrar ao mundo um pouco do que aprendi. Estudiosa e muito dedicada ao que faz. Me dedico muito a escrever e levar informação para os veículos que me abriram as portas como colunista. Dedico a minha carreira de modelo inclusivo mostrando que a beleza existe nas diferenças e luto, dia a dia, contra o que mais detesto: covardia e preconceito. Batalho por ideais e sempre tento falar por aqueles que não tem possibilidades de expressar com facilidade.

 

Sou amante dos animais, luto pelos direitos deles e contribuo compartilhando possibilidades de terem um lar, carinho, respeito e dignidade.

 

Tento ser correta em minhas atitudes. Tento ser justa. Sou exigente comigo mesma e sempre exijo o melhor de mim pois acredito que o mundo pode ser melhor quando se tem atitudes nobres.

Matéria sobre Mergulho Adaptado nos 15 anos da Revista Reação - Adriana Buzelin e William Spinetti em Bonaire - Ilhas Antilhas

Companheiros de mergulho no mar do Caribe Venezuelano- Bonaire - Ilhas Antilhas

Fotos: Amira Hissa- Make: Alissa Hissa- Produção: Fernanda Rocha; Lu Henriques; Izabelle Shylô - Roupas e rendas Le Fate.

Adriana Buzelin - Modelo Inclusivo

Locação: Estúdio Cachaça Brava - em Belo Horizonte (MG) Modelo: Adriana Buzelin Make UP: Andre Lima Look: Lu Henriques Acessórios: Bigiteria - Gisele Bijoux Foto: Kica de Castro

Detalhe da obra Favela premiada pela Câmara dos Vereadores de Belo Horizonte - MG

Obra Favela premiada pela Câmara dos Vereadores de Belo Horizonte - MG

Dizem que o amor é perder-se no paraíso e vejo você perdida de amor por sua revista. Como é ser diretora de uma revista tão significativa para o mundo? Gostaria de deixar uma mensagem a seu público, parceiros e demais pessoas?

 

A revista digital Tendência Inclusiva é fruto de uma longa trajetória minha no universo da inclusão.

 

Sempre quis ter veículo que proporcionasse conhecimento e informação para pessoas que pouco sabem deste universo das diferenças, seja ela de pessoas com deficiência ou não, pois, ainda tento acreditar, que o preconceito nasce da falta de informação e como vivemos em um mundo tão diverso nada mais justo que propagarmos a aceitação de tudo que é novo aos olhos de alguns.

 

Acredito que estou apenas iniciando um novo tempo tentando levar as pessoas conhecimento daquilo que não é muito falado e que muitos acreditam ser só tristeza. O mundo das pessoas com deficiência ou pessoas que não se encaixam nos estereótipos aceitos pela sociedade não é fácil, seria hipocrisia dizer que tudo é tranquilo, mas pode ser muito interessante e servir de inspiração para muitos que desconhecem a palavra luta e superação.

 

Essa revista começou pequenina e com poucos colaboradores, porém, hoje com nem 1 ano de existência, já aborda diversos temas e tem muitos colaboradores e parceiros dedicados e atentos aos temas ligados a inclusão e aceitação das diferenças. 

 

Para mim, ela é uma eterna fonte de conhecimento. Fruto de muita pesquisa e dedicação. Me emociono a cada edição com as histórias contadas, aprendo sempre com as matérias dos colunistas, me sinto envaidecida e orgulhosa do "filhote" que cresce e ganha seguidores, seguidores do bem e interessados em deixar um legado melhor para nosso mundo.

 

Só tenho que agradecer!

 

Obrigada Rogélia por me retratar com tanto carinho e admiração. Essa admiração é mútua!

 

 

Espero que minha arte retrate não só o mergulho adaptado, os seus diversos talentos, mas também a alma de um ser humano doce, gentil e que o mundo deveria copiar e a mensagem que deixo a você minha amiga é simples: Te desejo uma felicidade não apenas momentânea, mas eterna e isso é possível a todos que fazem o bem, pois Deus está com aqueles que o servem. Te amo!

 

Contatos da entrevistada Adriana Buzelin:

www.adrianabuzelin.com

http://trilhadasborboletas.blogspot.com.br/

 

por Rogélia Heriberta

 

Fotos do acervo do entrevistado e da artista Rogélia Heriberta

Espero que tenham gostado!

 

Aguardo sugestões de esportistas que fazem a diferença para compor nossa galeria de Art Inclusiva!

Galeria de Fotos Art Inclusiva por Rogélia Heriberta

 

Ano 1:

Os Gigantes do Rugby em Cadeira de Rodas

Amor de Irmãos

com os filhos de Rogélia Heriberta

Voo Inclusivo

com Evinho Bezerra

Vida e Alegria

com Alan Mazzoleni

Um Mergulho na Inclusão

com Adriana Buzelin

Arte, Incluir, Amor Eterno

com Gelzimar Borges

Tendência Inclusiva

Aniversário de 1 ano!

Autismo - Além do Horizonte

com Bruno Caruso

Ano 2:

Selo - Acessibilidade

com Scott Rains

O Triunfo das Escolhas Inclusivas

com Samanta Bullock

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