Mara Gabrilli

 

Foi a primeira titular da Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida (2005-2007) da cidade de São Paulo. Atualmente é deputada federal por São Paulo. Na Câmara dos Deputados é membro titular da Comissão de Educação e Cultura, é suplente da Comissão de Seguridade Social e Família e da Comissão do Plano Nacional de Educação (PNE), e integra a Frente Parlamentar Mista do Congresso Nacional em Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência. Batalhadora e idealista fundou o Instituto Mara Gabrilli e é relatora da Lei Brasileira da Inclusão.

Mara Cristina Gabrilli é psicólogapublicitária e política brasileira.

Em 1994, Mara sofreu um acidente de carro que a deixou tetraplégica, mas sua relação com a deficiência, sempre esteve presente em sua vida.

 

Fundou em 1997 o Instituto Mara Gabrilli, que desenvolve programas de defesa de direitos das pessoas com deficiência, promove o Desenho Universal e fomenta projetos esportivos, culturais e pesquisas científicas.

Mara comanda os  programas de rádio Derrubando Barreiras: acesso para todos (Estadão/ESPN) e o Momento Terceiro Setor (Trianon AM).

É colunista da revista TPM (Trip Editora) há doze anos, cujas 50 melhores crônicas foram reunidas no livro Íntima Desordem – os melhores textos na TPM (Arx/Versar). Também mantém colunas nos jornais Diário de São Paulo, Jornal da AME, Inclusão Brasil, na revista Sentidos (Escala) e nos portais Mobilize, Nextel, Vida Mais Livre, Congresso em Foco, Blog do Guilherme Bara e no site iSocial.

Ex-vereadora na Câmara Municipal de São Paulo (2007-2010) foi reeleita em 2008 como a mulher mais votada do Brasil com 79.912 votos. Foi a primeira titular da Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida (2005-2007) da cidade de São Paulo.

Atualmente é deputada federal por São Pauloeleita com 160.138 votos. Na Câmara dos Deputados é membro titular da Comissão de Educação e Cultura, é suplente da Comissão de Seguridade Social e Família e da Comissão do Plano Nacional de Educação (PNE), e integra a Frente Parlamentar Mista do Congresso Nacional em Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência.

Foi consultora do livro Vai encarar? - A Nação (quase) invisível das pessoas com deficiência (Melhoramentos), de Claudia Matarazzo, e colaborou com o capítulo: “Educação para Todos: uma questão de direitos humanos” no livro Educação 2010 – as mais importantes tendências na visão dos mais importantes educadores, entre participações em outras publicações.

Em reconhecimento a sua atuação, em 2011, foi avaliada como a terceira melhor deputada federal por VEJA e o Núcleo de Estudos do Congresso, do Rio de Janeiro. Também foi eleita Paulistana do Ano (2007) pela revista Veja São Paulo, figurou entre os Cem Brasileiros Mais Influentes de 2008 das revistas Isto É e Época, e foi finalista do Prêmio Claudia na categoria Políticas Públicas.

Mara Gabrilli - PSDB na Câmara - 01/06/14

Foto retirada do Flickr

Mara Gabrilli - PSDB na Câmara - 26/10/15

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Durante o período em que viveu na Itália, antes do acidente que a deixou tetraplégica em 1994, além de participar de uma ultramaratona, sem qualquer preparação ou mesmo equipamentos, você também foi voluntária em um acampamento de inclusão. Como foi essa experiência e qual a sua relação com a deficiência antes do seu acidente?

Por ironia do destino, sempre tive uma ligação muito forte com a causa. Sempre tive amigos com deficiência e nunca os enxerguei com dó ou coisa parecida. Apaixonei-me e namorei um deles, cadeirante, muito antes do meu acidente. Durante a faculdade de psicologia, escolhi uma clínica que trabalha com pessoas com síndrome de Down para fazer meu estágio. Quando morei no exterior, entre os bicos que fiz, um foi cuidar de uma garota cadeirante. Depois de tudo isso, em 1994, aos 26 anos, sofri o acidente de carro que me deixou tetraplégica, pois quebrei o pescoço. É curioso. São pessoas com quem convivo hoje e são militantes da causa; eles falam: "Você era mesmo uma invejosa" (rs). Isso ajudou. Quando aconteceu comigo, não me vi de forma diferente. Não tenho preconceito comigo mesma.

Qual a sua visão sobre os avanços da questão da deficiência no Brasil desde 1994, quando se tornou tetraplégica?

Em agosto o acidente completará 22 anos. Acho que a maior mudança nesse tempo todo foi que a pessoa com deficiência passou a fazer parte da sociedade. Durante muito tempo, foi uma parcela da população que ficou esquecida, sem acessibilidade, sem serviços públicos de qualidade, sem informação. Por exemplo, lembro que quando tentávamos emplacar alguma pauta na mídia, a maioria dos jornalistas não gostava da ideia, pois tinham uma visão assistencialista, de “coitadinho”. Hoje isso mudou: não tem um dia que os jornais não tragam alguma matéria sobre deficiência e acessibilidade. Sabemos que muita coisa ainda precisa ser feita, mas o olhar para a pessoa com deficiência mudou. Saímos do esquecimento para passar a fazer parte da sociedade.

Em sua biografia “Depois daquele dia”, você narra vários fatos da sua vida. O que a motivou a contar sua história?

M.G: Na verdade eu nunca tinha pensado em um livro com a minha história. O convite partiu da Editora Saraiva e, depois de muita conversa, eu topei. Escolhi a Milly Lacombe para escrevê-lo, que era colunista comigo na Revista TPM e cujo texto eu era fã. E foi muito gostoso todo o processo, pois você acaba descobrindo muito de você mesmo enquanto fala, enquanto conversa. É um livro que fala de mim em vários momentos da vida, antes e depois do acidente que me deixou tetraplégica. Ele conta a trajetória de uma forma muito dinâmica, mixando passado, presente e futuro.  E o mais legal é que existem muitas vertentes para se identificar com o livro; você não precisa ter uma deficiência para se identificar com o livro, pois é uma história que fala de emoções, de muita luta. E isso é algo inerente a todos os brasileiros.

Mara Gabrilli - Depois daquele dia - Lançamento Brasília  - 09/11/13

Foto retirada do Flickr

Em entrevistas anteriores, você citou que é uma pessoa inquieta. De que forma essa inquietude a motivou para realizar as conquistas que obteve desde 1994?

A paralisia nunca foi motivo para que eu me sentisse de fato paralisada. Inquieta e um tanto sonhadora, desde criança, nunca me conformei com conformidades. Aceitar um “é assim mesmo” sempre foi difícil para mim. Com o tempo, esta teimosia foi engendrando uma incrível vontade de transformar. O ápice de toda essa inquietude, paradoxalmente, se deu no momento em que sofri o acidente de carro que me fez perder os movimentos do pescoço para baixo. Ouvi dos médicos que as minhas chances para voltar a andar correspondiam a 1%. Fique feliz e pensei comigo: “nossa, 1% não é zero, tenho muito trabalho a fazer”! Depois disso, não parei mais de trabalhar, para mim e para os outros. Enfim, às vezes, o que precisamos é de um empurrãozinho. E talvez com as rodas eu tenha chegado mais rápido!

O que a motivou a criar a ONG Projeto Próximo Passo, posteriormente ampliada e consolidada como Instituto Mara Gabrilli? E de que forma o Instituto Mara Gabrilli contribui para a questão da deficiência no Brasil?

Depois do acidente fiquei seis meses internada, dos quais três respirando com ajuda de aparelhos e sem poder falar. Quando enfim deixei o hospital, fui para os Estados Unidos fazer reabilitação. Na volta ao Brasil comecei a retomar minha vida cotidiana e entendi o que era ser brasileiro com deficiência na cidade de São Paulo e no Brasil. Faltava informação. Faltava acesso. Faltava muita coisa. Já não fazia sentido trabalhar com algo que só me trouxesse dinheiro. Terminei a faculdade de psicologia e em 1997 fundei o Projeto Próximo Passo, para apoiar o para desporto e pesquisas científicas. Hoje um dos principais projetos sociais do IMG (Instituto Mara Gabrilli) é o “Cadê Você?”, um projeto lindo que procura pessoas com deficiência em situação de vulnerabilidade nas periferias e leva uma equipe multidisciplinar para atendê-las, com assistentes sociais, psicólogos, terapeutas ocupacionais, dentistas, médicos. São pessoas que, muitas vezes, não conseguem sair de casa por falta de acesso, por falta de serviços, por falta de informação. Ouvimos, muitas vezes, que essas pessoas tiveram em um dia, o atendimento que não tiveram durante a vida.

Mara Gabrilli - 07/06/14

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Dentre todas as suas contribuições à sociedade, qual delas você considera a mais relevante e por qual razão?

 

Sem dúvidas, a relatoria e aprovação da Lei Brasileira da Inclusão. Foram 15 anos de tramitação para que o projeto fosse totalmente reformulado para se harmonizar à Convenção da ONU Sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência. Isso faz toda a diferença, uma vez que a Convenção foi o primeiro tratado internacional de direitos humanos a ser incorporado pelo ordenamento jurídico brasileiro como emenda constitucional, mas que, por desconhecimento de muitos juristas brasileiros, nunca foi cumprida. Agora, com a LBI em mãos, não será mais admitido que o poder público não faça calçadas, que as escolas cobrem taxa extra de aluno com deficiência, que o SUS não ofereça órtese e prótese, que qualquer cidadão com deficiência sofra preconceito e fique por isso mesmo. Enfim, teremos finalmente uma ferramenta eficaz para que o brasileiro com deficiência não seja colocado à margem que qualquer direito. Mas vale lembrar que a LBI é uma conquista não só das pessoas com deficiência, mas da democracia. Cada linha de sua redação representa os anseios da sociedade civil, que participou de todo a construção do texto.

Qual o seu sentimento ao pensar em sua contribuição para com tantas pessoas?

 

Cada vez mais, sinto que estou cumprindo minha missão. O reconhecimento pelo bom trabalho que tenho nas ruas, o agradecimento que recebo das pessoas, me mostram que estou no caminho certo. A deficiência me tornou uma pessoa mais comprometida com o coletivo. Mostrou-me a uma Mara que não conhecia – mais engajada, corajosa, com visão ampla sobre seu entorno. Hoje, penso em melhorar não só a minha vida, mas a de outras pessoas. E com isso, acabo melhorando a minha vida também.

Quem é Mara Gabrilli como deputada, mulher e pessoa com deficiência? Se você pudesse se definir em poucas palavras, quais seriam?

Uma pessoa cuja felicidade está intimamente ligada à vontade de produzir e realizar.

Mara Gabrilli - PSDB na Câmara - 12/07/16

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Você tem uma forma muito particular de encarar a sua própria deficiência. Qual a sua mensagem final aos leitores da revista digital Tendência Inclusiva.

Costumo dizer que sou um exemplo prático de que sozinhos não chegamos a lugar algum. Durante toda minha trajetória política pude contar com o apoio de pessoas que acreditam na política do bem, para melhorar a vida de pessoas. Meus projetos são baseados nas necessidades e demandas que recebo da população. Continuem cobrando, opinando e sugerindo, pois conto com vocês, por meio de suas ideias e sugestões, para construirmos um Brasil com mais acessos.

Contato:

Facebook: www.facebook.com/maragabrilli

E-mail: maragabrilli@maragabrilli.com.br

por Rodrigo Anunciato em 27/07/2016

 

Fotos: Arquivos do Entrevistado

 

 

 

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