Geraldo Magela

um cego de olho no futuro

 

Completando 25 anos de carreira, Geraldo Magela, conhecido também como Ceguinho, começou sua carreira no rádio. Teve uma infância como das maiorias dos meninos carregando em seu corpo marcas das suas travessuras. Quando adolescente, trabalhando em uma loja, fazia imitações de personagens famosos dando a entender que os mesmos estavam presentes. Antenado nas questões que envolvem qualidade de vida e acessibilidade para pessoas com deficiência o humorista acredita que a informação é a chave para aceitação das diferenças. Divertido e com um humor irreverente, Ceguinho, está com um novo espetáculo chamado O Melhor do Ceguinho viajando por todo Brasil.

Geraldo Magela é o melhor humorista cego do Brasil. Mesmo porque, só tem ele.  Antes de ser humorista, na infância, foi vendedor de picolé, refresco, bolinho de espinafre, carregador de feira. Quando adulto, fez como a maioria dos deficientes visuais: vendeu loteria. Um tremendo pé frio, não vendeu um prêmio sequer. Também fez locução em lojas, anunciando produtos do tipo: camisas que depois de lavadas servem para o irmão mais novo, calças que depois de lavadas viram bermudas. Sempre de um jeito diferente, Geraldo Magela ficava escondido, anunciando os produtos fazendo imitações de personagens famosos, dando a entender que os mesmos estavam ali presentes.

 

A carreira artística começou no rádio.  Como ouvinte, ganhou um concurso em um programa do maior nome do rádio mineiro, Aldair Pinto. O prêmio: uma lata de café de 2 kg, que tinha, na verdade, 1kg e 250g. Mas, Aldair Pinto pediu que Geraldo Magela fizesse algumas imitações e o convidou a participar do seu programa. Depois, passou a ter um programa só seu e trabalhou em diversas rádios mineiras. Rádio Inconfidência, Rádio Capital, Rádio Itatiaia.

 

A primeira experiência na televisão foi na Rede Minas, apresentando um programa de rádio dentro da TV, chamado “Rancho Fundo”. No teatro começou com a peça “Radioatividade”, uma programação de um dia em uma rádio feito no palco. Logo depois, apresentou o show “Cegos, mancos e loucos” com Kaquinho Big Dog. Cego era ele, Kaquinho era o manco e os loucos eram os que iam assisti-lo.

 

Em 1996, Geraldo Magela lança o show que o consagrou “Ceguinho é a Mãe”, no programa “Jô Soares Onze Meia”, ainda no SBT. A partir daí sua carreira decolou. E o humorista participou dos principais programas de televisão do país. Além disso em 2011 Geraldo Magela teve a oportunidade de trabalhar com o diretor Pablo Villaça ao ser convidado a participar do curta “Morte Cega”, comprovando seu talento também como ator.

Sobre sua experiência no cinema, o diretor/roteirista do filme “Morte Cega” diz: “Trabalhar com o Magela no filme “Morte Cega” foi um prazer e uma surpresa. Um prazer por ter um ator não apenas dedicadíssimo que chegou super preparado para as filmagens, mas que também divertiu toda a equipe ao longo das várias horas nos sets; e surpresa por perceber como mesmo nunca tendo atuado no Cinema, Geraldo criou não uma, mas DUAS versões do mesmo personagem, revelando-se mais do que um comediante talentoso, mas também um ator versátil.”

 

 

Na entrevista dada a Revista Digital Tendência Inclusiva Geraldo Magela nos conta um pouco mais de seu trabalho, confira:

 

Geraldo, como você se descobriu humorista?


Eu sempre fui muito brincalhão, sempre fazia brincadeira com tudo, mesmo enxergando muito pouco mas queria fazer tudo que as crianças faziam.
Colecionava machucados pelo corpo mais valeu muito a pena!


Nós da revista digital Tendência Inclusiva, lutamos a favor também dos animais e promovemos adoção dos mesmos, como foi fazer um show para ONG Rock Bicho? Como você encara importância da adoção e cuidados com os animais?


Acho sim que as pessoas devem adotar os animais, mas não adianta levar pra casa um cachorro por exemplo e ele continuar sendo um animal
abandonado dentro de casa sem carinho.

 

Tem pessoas que tem cachorros grandes e que fazem deles seguranças, só dão comida e não dão o principal que é carinho.Tem muita gente que chegam ao absurdo de deixar os coitados sem comida a noite pra ficarem bravos cuidando da casa, isso é uma crueldade!

 

Geraldo Magela, conhecido como Ceguinho, é um humorista conhecido em todo Brasil por seu humor divertido e irreverente.

Não consigo deixar de lembrar do seu espetáculo Ceguinho é a mãe que assisti e dei boas risadas. Nos fale um pouco sobre seus shows? Quais estão em cartaz?


Agora estou comemorando meus 25 anos de carreira, estou apresentando O Melhor Do Ceguinho.
Os melhores textos de minha carreira e textos novos, está muito legal e com um grande diferencial, uma hora de gargalhadas sem se quer um
palavrão! Meu espetáculo é pra todas as idades. Pra ser irreverente  não precisa ser indecente.

O melhor do ceguinho é a união do melhor dos dois espetáculos: “Ceguinho é a mãe” e “Ceguinho chutando o balde”.

Você tem cd e dvd, como fazemos para adquirir?


Eu tenho dois dvds com meus dois shows, Ceguinho é a mãe e Ceguinho Chutando o Balde, mas só vendo depois de meus espetáculos.


Como você percebe a inclusão da pessoa com deficiência na sociedade, tanto na educação quanto no trabalho. Acredita ter evoluído?


Evoluiu muito, mas tem que ser uma evolução mais forte, mais ampla.
Tem milhares de cegos no interior do Brasil que vivem como bichos do mato, não tem a menor assistência.
As prefeituras não tem ninguém especializado pra ensinar o braile, a informática, colocá-los nas redes sociais aproveitando a evolução da
tecnologia. E isso é muito complicado porque os próprios pais, por falta de informação, acabam não sabendo o que fazer ou como fazer! Aí não deixam os filhos presos dentro de casa.


Tem que ser feito um trabalho muito mais abrangente colocando em cada cidade pessoas treinadas pra lhe dar com os que tem alguma limitação.
 

CD Geraldo Magela - Chutando o Balde

 

Músicas: Mo Deuso, Rap da Roça, Ataque Epilético, Aquele Rapaz e Chutando o Balde e Chutando o Balde (original/karaokê),  gravadas no estúdio HP – Belo Horizonte

DVD Geraldo Magela - Ceguinho Chutando o Balde

 

Espetáculo gravado no Grande Teatro do

Palácio das Artes em Belo Horizonte.
Duração do filme: 54 minutos aprox.
Equipe de palco do Palácio das artes, iluminação e sonorização sob a coordenação de Atila Gomes.

Qual recado você deixa para os leitores da Revista Digital Tendência Inclusiva?

Todos devem participar de alguma maneira pra mudar  a situação, principalmente dos deficientes que moram nas pequenas cidades, aqueles
que não tem grana e consequentemente acesso a evolução tecnológica.

 

Contatos:

Site: www.ceguinho.com.br

E-mail: contato@ceguinho.com.br
Telefone  e whatsapp:  031-9983-0401

 

Fotos e release: Arquivos do Entrevistado

 

 

por Adriana Buzelin em 25/09/2015

© Copyright Tendência Inclusiva  2014 / 2020