Felipe Soares, em nome da arte!

por Lícia Lima
Sem deixar suas raízes, o mineiro Felipe Soares assume seu sonho e muda radicalmente os rumos de sua vida para viver de arte e do que faz seu coração vibrar.

Ele tem 27 anos e já viveu muitas aventuras em busca da realização profissional e pessoal.

Estudou teatro no CEFAR - Centro de Formação Artístico / Palácio das Artes (BH-MG) e atualmente trabalha no **Bando de Teatro Olodum e **Dentro da Cena.

 

Conheci Felipe quando trabalhei com política. Éramos colegas de trabalho. Sempre admirei o seu modo de lidar com as pessoas: prestativo, simpático, generoso e muito dócil. Logo percebi que ele iria longe, em busca dos sonhos. Tinha algo na sua essência, que eu não conseguia identificar de início e que mais tarde pude me certificar, pois estava diante de um homem valente e extremamente determinado.

 

Mineiro, e vindo de uma família pequena, a qual somente ele deu continuidade à arte,  abandonou o emprego, família e namorada em BH e foi para Salvador para viver de teatro. Felipe trabalhou com um deputado em Minas, fez curso de Tecnologia da Informação, trabalhou em uma ONG, trabalhou no setor de call center, mas foi se encontrar na arte, no teatro, naquilo que ele acredita. Com isto, mudou os rumos de sua vida.

 

Além da experiência com o Galpão Cine Horto, foi para a Argentina estudar sobre Improvisação Teatral e **Máscara Neutra. O período em Buenos Aires foi rico, pois no curso tinham pessoas de vários lugares: Alemanha, França, Estados Unidos. Uma grande troca de informações segundo o ator.

As aulas com o professor Marcelo Savignone foram tão ricas, que Felipe pretende voltar para dar continuidade aos estudos ligados a arte e ressalta que os cursos na Argentina são mais baratos.

 

Os projetos teatrais de Felipe tem o intuito de tocar o emocional das pessoas, tanto que a Peça Chão de Pequenos marcou sua carreira. Ele e o parceiro, o ator Ramon, antes de entrar em cena, vendiam balas aos espectadores, sem que elas soubessem que aqueles meninos baleiros, eram os atores da peça. O espanto do público era evidente!

De Minas pra Bahia! Este mineiro versátil, fez a oficina de performance negra promovida pelo Bando de Teatro Olodum e foi selecionado. Segundo Felipe Soares, este trabalho é uma experiência incrível, há disciplina e a reafirmação como negro pois a sua relação com a questão racial é muito forte.

Felipe deu aulas de arte para crianças da Ladeira da Preguiça em Salvador, considerando que foi um período curto, devido a incompatibilidade de horário e o professor teve que  parar com as aulas, mas relata que  o tempo na comunidade foi compensador: ‘’Estou feliz porque é um dever social. Se eu tivesse esta oportunidade quando criança, poderia ter sido tudo diferente. Eu demorei para descobrir a arte.’’

 

E este mineiro gosta de inovar. Criou o projeto CiclOlhar: Um olhar de bike para o mundo. Ele conta que retornou a andar de bicicleta após uns 12 anos sem pedalar. Como ele voltou a ativa? Descobriu que o pai tinha uma bicicleta parada e resolveu pedir ‘’emprestada’’. Felipe pensou que poderia ir ao trabalho e ao teatro pedalando. Abandonou o carro e passou a ter um meio de transporte autônomo, barato e ecológico, como ele mesmo qualifica. Uma troca radical.

 

Todos os lugares que vai, a companheira de duas rodas está junto. Numa onda de andar de bicicleta pela cidade, ele acabou tendo um olhar diferente. ‘’Por onde eu passava eu tinha um tempo maior naquele espaço ao ar livre’’ - diz Felipe.

 

Felipe se orgulha em dizer que motivou pelo menos 10 amigos a comprarem uma bicicleta após postar sobre o Ciclolhar: ‘’plantei uma sementinha que se multiplicou’’ - relata Felipe com alegria.

 

Como o próprio ator e criador do Ciclolhar revela, por ele vir do teatro, acabou enxergando poesia em vários locais da cidade e pretende fazer um espetáculo com a companheira ao lado, que ainda está em fase de planejamento.

 

A vida dele dá um longa metragem, mas aí, é assunto pra outra matéria. Vamos aguardar mais uma "atuação" deste ator em constante busca pela felicidade e com um considerável compromisso social.

Na filosofia de Felipe, quem lida com a arte não quer saber se você tem status, carro, dinheiro, mas quer se aprofundar nos seus valores.

 

Fotos: Acervo Pessoal do Artista

 

por Lícia Lima em 15/12/14

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