A Gestação e a Deficiência - parte I

 

 

 

E depois do vergonhoso estatuto da família, bora falar de gestação e maternidade?

 

Este é um assunto bem extenso e bastante específico, por este motivo este texto é apenas a parte 1!

 

É perfeitamente possível que a maioria das mulheres com algum tipo de deficiência engravidem, porém vale lembrar que é preciso cuidados específicos e uma atenção especial!

 

Para escrever este texto, resolvi fazer a experiência de conversar com um grupo de, aproximadamente, 15 pessoas, onde discutimos sobre questões referentes à maternidade e a deficiência e tive o prazer de conhecer lindas histórias.

 

E nesse nosso bate-papo surgiram questionamentos que acredito permear a mente curiosa de muitos que vivem de fora desse nosso mundinho ainda tão cheio de tabus.

 

“Vocês podem engravidar normalmente”? A fertilidade não fica comprometida?

 

Algumas de nós, mulheres com deficiência, podem até encontrar alguma dificuldade de fertilidade por conta da deficiência (algumas síndromes geram infertilidade tanto no homem como na mulher), porém, via de regra, nossa fertilidade não fica comprometida.

 

A maioria das deficiências não inviabilizam a gestação, engravidar ou não é uma decisão da mulher ou do casal!

 

“Primeiro eu achava que precisaria recuperar alguns movimentos para poder cuidar de um bebê, mas com o tempo fui me dando conta de que não poderia esperar por isso e que se um dia isto acontecesse, se eu recuperasse movimentos, eu então poderia aproveitar e curtir este momento com um filho ou filha já crescido. Assim nós dois decidimos que era hora de tentar engravidar, fui pro Sarah com este propósito e me preparei pra isso em todos os sentidos, físico, psicológico e prático, com pessoas que poderiam me auxiliar em tudo aquilo que eu não podia fazer. Engravidei em 2011 e tive a Manuela de parto normal em janeiro de 2012. O parto foi lindo, com música ao fundo, um momento inesquecível. Foi uma gravidez maravilhosa e minha filha é a grande motivação da minha vida.” – Debora Haupt (LM C5).

 

 “A deficiência não passa para o bebê?

 

Se sua resposta foi “Não”, que bom que esteja lendo este texto!  O correto é dizer que depende, isso  porque muitas deficiências tem origem genéticas e são “passadas” para o bebê durante a gestação. Quer ver um exemplo? Duas pessoas com acondroplasia (nanismo) possuem chance de 75% de gerar uma criança com acondroplasia.

 

Logo, não podemos generalizar!

 

A maioria das deficiências não possuem uma herança genética, não havendo risco para a gestação.

 

“Minha vontade de ser mãe era muito grande mesmo sem saber dos riscos de ter filhos com a Síndrome de Larsen. Quando engravidei já no morfológico descobrimos que seriam duas princesas e que teriam realmente a mesma síndrome pois os pés se apresentaram tortos e joelhos e quadris luxados mas enfim minha obstetra com todo carinho me acolheu e mostrou que seriam independente e lutadora como eu sempre fui...” – Dulce Nogueira (Sd de Larsen).

 

 

“São necessários cuidados específicos?”

 

Sim, a menos que a deficiência seja muito leve, em geral, precisamos de um acompanhamento mais de “perto” do médico.

 

Para as mamães cadeirantes, a falta de sensibilidade pode “mascarar” o trabalho de parto prematuro, o ganho de peso pode favorecer o aparecimento de escaras ou trazer alterações circulatórias.

 

Para as mulheres com osteogênese imperfeita há inda o risco de fraturas ósseas. Devido ao ganho de peso, é comum também a perda de marcha no final da gestação.


A partir do sexto mês elas começaram a crescer e comecei a ter dificuldade para andar e apresentar muita infecção a qual era tratada da melhor forma possível, para não engordar muito além de ter uma dieta balanceada para não engordar por três né?

"Passei a fazer fisioterapia duas vezes por semana devido escoliose e a andar com muletas para sustentar o corpo e evitar quedas."– Dulce Nogueira.

“Tive problema com desmaios, principalmente quando ia pro chuveiro, foi curioso também que suei muito na gravidez. Fiz botox na bexiga para não usar medicações” - Debora Haupt.

 

Termino nossa coluna desse mês deixando meu mais sincero agradecimento a essas duas mulheres lindas: Dulce e Debora, muito obrigada!

 

Na edição que vem, falaremos sobre parto e os primeiros cuidados!

 

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